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Entrevistas Multiverso Comic Con

Os organizadores do Multiverso Comic Con realizaram 3 pré entrevistas com Cris Peter, Salvador Sanz e o Fabiano Dernardin, confira!!!

Entrevista com Cris Peter 

Primeira artista feminina do Brasil a ser indicada ao Prêmio Eisner – o famoso “Oscar” dos quadrinhos mundiais – Cris Peter é a prova de que nesse cenário há espaço para todos desde que a paixão e o talento sejam verdadeiros. Atuando há mais de uma década no mercado internacional, a colorista gaúcha conta com um currículo invejável, onde constam títulos como Superman, Batman, Capitão América e X-Men, além de Casanova, com os brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, e Astronauta Magnetar, com Danilo Beyruth.

Na Multiverso ComicCON dá pra dizer que Cris Peter já é de casa, pois marcou presença em quase todas as edições. Neste ano ela volta com uma grande novidade, já que está prestes a lançar o livro O Uso das Cores, realizado através de financiamento coletivo pelo Catarse. Em entrevista, Cris fala um pouco desses assuntos dando uma amostra de como será sua participação na convenção entre os dias 23 e e 24 de agosto.

Multiverso ComicCON - Você já participou de outras edições da Multiverso ComicCON e pôde perceber o crescimento da convenção a cada ano. Os fãs gaúchos estão bem servidos?

Cris Peter - Com certeza! O pessoal da organização está batalhando muito pra tornar o evento cada vez melhor e o pessoal do ramo dos quadrinhos já está reconhecendo a Multiverso ComicCon como um bom lugar para fazer negócios. Dá pra ver que os organizadores estão muito empenhados, e a presença deles em outros eventos do gênero pelo Brasil e até fora do país mostra que eles estão inspirados com ótimas referências!

 

Multiverso ComicCON - Como foi essa experiência de escrever um livro sobre colorização? Era um desejo antigo?

Cris Peter - Na verdade esse desejo de escrever o livro veio meio que de sopetão. Eu estava fazendo alguns tutoriais em um blog e comecei a perceber que as informações que o público gostaria de saber eram bem mais complexas de explicar em poucas linhas, somente um livro seria capaz de saciar a dúvida do pessoal. Então resolvi arriscar!

 

Multiverso ComicCON - E o processo de publicação através de crowdfunding? Você considera uma alternativa importante para os artistas e até mesmo para os leitores, que de certa forma passam a decidir o que querem ver publicado?

Cris Peter - Com certeza, o crowdfunding é uma ótima plataforma que não só possibilita trabalhos, como também está provando para o mercado editorial que a triagem deles não está atendendo ao público geral. Eu tive sorte de ter uma parceria editorial para me ajudar na distribuição do livro. Apesar de uma ótima ferramenta de viabilização de projetos, embarcar numa empreitada dessas sozinho é muito arriscado, pois exige muita atenção e dedicação.

Salvadorsanz

Entrevista com Salvador Sanz

Por trás das tramas sombrias e dos desenhos assustadoramente realistas se esconde um artista sorridente, disposto a passar horas e horas fazendo de cada autógrafo seu um original que se confunde ao álbum impresso tamanho é o seu cuidado e dedicação. Este é Salvador Sanz, artista argentino apaixonado pelo Brasil e pelo qual o Brasil se apaixonou, o que se vê pelos constantes convites para convenções de quadrinhos país afora, e agora finalmente no Rio Grande do Sul, como convidado internacional da Multiverso ComicCON #4.

Mais conhecido pela graphic novel Noturno, Sanz possui um estilo próprio de ilustração detalhista que impressiona pela mistura convincente de elementos reais e imaginários, perfeitos para suas histórias de terror e ficção científica cheias de originalidade e capazes de seduzir até aqueles que não são habituados ao gênero. Reconhecido como um dos mais relevantes artistas da nova geração de quadrinhos argentinos, Sanz leciona sobre o tema e produz storyboards para a publicidade e o cinema, área na qual se aventurou através do longa de animação Mercano El Marciano e do filme Gorgonas, com o qual ganhou o prêmio de melhor curta animado da San Diego Comic-Con 2006.

Com álbuns publicados no Brasil pela Zarabatana Books, Salvador Sanz acaba de lançar na Argentina o segundo volume de Angela Della Morte e já trabalha em uma nova graphic novel. Confira abaixo uma breve entrevista com o artista que estará em Porto Alegre nos dias 23 e 24 de agosto, dentro da programação da Multiverso ComicCON 2014.

Multiverso ComicCON – Você tem uma relação muito próxima com o Brasil e já esteve em várias convenções de quadrinhos em cidades diferentes. O que espera dessa visita ao Rio Grande do Sul, vizinho da Argentina? 

Salvador Sanz - Já estive no Rio, em Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, e em todos os lugares me trataram maravilhosamente bem, o público se mostrou muito interessado pelo meu trabalho. Publiquei também em outros países, mas diria que no Brasil é onde a obra foi mais bem recebida. Por isso é sempre um grande prazer viajar ao Brasil e sinto muita curiosidade de enfim conhecer o Rio Grande do Sul.
Multiverso ComicCON - O segundo volume de Angela Della Morte foi lançado recentemente. Como foi a experiência de levar ainda mais longe esse universo?

Salvador Sanz - Acredito que é minha personagem mais interessante e que ainda tem muitas histórias para contar. Era necessário um segundo livro para poder expandir seu universo e finalmente mostrar o Governo Fluo, os antagonistas de Angela, que são mencionados no primeiro livro mas não chegam a aparecer.
Multiverso ComicCON - Noturno e Angela Della Morte saíram no Brasil pela Zarabatana Books. Existe a possibilidade de lançar aqui Angela Della Morte Volume 2, ou mesmo seus trabalhos anteriores, como Desfigurado e Legião?

Salvador Sanz - Este ano sai no Brasil pela Zarabatana o livro Legião e, se tudo correr bem, ano que vem talvez possa lançar aqui Angela Della Morte 2.

Multiverso ComicCON - Qual é o seu próximo projeto? Pensa em seguir com Angela Della Morte ou quem sabe escrever um novo volume para Noturno?

Salvador Sanz - Minha próxima obra se chama “O Esqueleto”. É uma história de horror ambientada em um futuro pós-apocalíptico, no qual um vírus no gado transforma os carnívoros em monstros predadores que enfrentam os vegetarianos, únicos sobreviventes.

 

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Entrevista com Fabiano Denardin 

Será que, assim como o livro e o jornal impresso, os quadrinhos acabar substituídos de vez pelas mídias digitais? Por outro lado, será que os quadrinhos digitais vão mesmo conseguir estabelecer território por aqui? O assunto está em alta e ninguém melhor para debater a respeito do que Fabiano Denardin, editor de longa data e idealizador do primeiro site de comercialização de quadrinhos digitais do Brasil, o Mais Gibis. Conhecido pelo público por seu trabalho à frente do selo Vertigo, Fabiano “Oggh” Denardin vem à Multiverso ComicCON 2014 para falar um pouco sobre o presente e o futuro do mercado de quadrinhos em geral, e adianta um pouco sobre o tema na entrevista abaixo.

Multiverso ComicCON - Além de acompanhar os lançamentos norte-americanos, a Vertigo também tem focado na publicação de clássicos em formato encadernado como Os Invisíveis e Monstro do Pântano. Como se dão essas escolhas? A crescente interatividade com o público influencia nesse processo? 

Fabiano Denardin - Tanto o Monstro quanto Os Invisíveis sempre estiveram nos planos, mas, quando começamos a linha, queríamos ampliar o fronte da Vertigo no Brasil e investir em material mesclado desde o começo, tanto os novos quanto os clássicos. A intenção desde o início era publicarmos séries completas o mais rápido possível. Então começamos algumas séries e seguimos focados nelas para conseguir chegar ao fim o mais breve possível, mostrando que era possível, sim, publicar a Vertigo por aqui. E aí, a cada série encerrada lançamos outra, e assim por diante. Chegar a Os Invisíveis e Monstro foi parte natural do processo. Acredito que todo material clássico deve ser publicado se tivermos tempo suficiente.

Multiverso ComicCON - O site Mais Gibis é considerado pioneiro no mercado de quadrinhos digitais no Brasil. Como tem sido essa experiência? 

Fabiano Denardin - Por enquanto a repercussão é ótima e os resultados devem começar a aparecer conforme mais gente conhecer e confiar no site. O mais difícil, acredito, é mudar um pouco essa cultura de que o material deve ser gratuito. Os autores precisam ser remunerados pelos seus trabalhos e a venda do arquivo digital é um jeito de se fazer isso de forma mais direta, com o menor número de intermediários possíveis e com um custo irrisório se formos comparar com o que custaria publicar e comercializar uma edição impressa. Mas o digital não vem pra substituir o impresso, tanto que praticamente todas as edições do Mais Gibis também existem em versões impressas. O digital é uma fonte de renda a mais para o autor e uma opção de formato para o leitor.

Multiverso ComicCON - Como editor de quadrinhos tanto em formato tradicional quanto em formato digital, como você analisa a dinâmica entre os dois? Há espaço para ambos ou os receios sobre o fim do livro e do jornal também cabem para os quadrinhos?

Fabiano Denardin - Já acreditei que o digital substituiria o impresso, mas não creio mais nisso. Ambos devem coexistir pelo futuro próximo e cada um atinge um público diferente. O que deve acontecer é que, com o tempo, o público do quadrinho digital não gratuito vai crescer e os autores vão ter mais opções para publicar seus trabalhos e serem remunerados por isso - e essa é a grande questão da HQ digital hoje em dia. Os excelentes sites de HQs (tanto tirinhas quanto HQs seriadas) que temos mostram que o público existe, só é preciso de um pouco de tempo para mudar a cultura de que tudo deve ser gratuito.

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