Rails Girls Porto Alegre 2017, um evento além da tecnologia. Empoderar e aprender!

Estou aqui sentada olhando para as abas do navegador, em meio a muitas planilhas e revisando tudo para daqui a 7 horas estar de frente com 40 meninas, 21 treinadoras e um mar de muitas emoções. Sim são 10 horas da manhã do dia 17 de novembro de 2017, eu ainda preciso terminar minha jornada na agencia, a onde eu trabalho e ainda gerenciar toda a minha ansiedade para mais tarde. Não vou poder estar presente na minha aula da pós graduação de UX, teria uma aula super show de métodos ágeis com o professor Daniel Wildt que é o grande incentivador desse texto.

Por onde começar?

Existe aquele momento louco da sua vida em que você percebe que sua história já pode ser contada em décadas, no auge dos 2.9 estou a alguns meses de completar 30 anos. Quando eu lembro de mim mesma a alguns anos atrás, não penso em uma jovem que terminava o ensino médio cheia de sonhos, mas lembro já de uma adulta tentando achar algum sentido nas coisas que eu vivia.  Eu entrei na área de tecnologia quando tinha 22 anos, não sabia exatamente o que queria ser, na verdade conhecia muito pouco desse mundo novo e tive meus altos e baixos, fui subestimada e ao mesmo tempo incentivada, por muitas vezes pensei em desistir e isso não não foi sinal de fraqueza.

Em meio a esses altos e baixos eu conheci o Rails Girls, isso foi em 2015, eu estava no meio do meu TCC, eu queria largar tudo e simplesmente sumir, não me acha uma boa Front End até então á profissão que escolhi seguir em 2011, eu não acha que estava na área certa, eu chorava em cima das mil linhas de códigos, eu simplesmente achava que esse não era o meu mundo, eu vivia nesse momento a famosa "Síndrome do impostor". Nesse ano em meio a toda essa turbulência eu me escrevi para o evento, por ironia do destino eu não consegui estar presente e tive que abrir mão da minha vaga.

Em 2016 eu estava formada nota máxima no TCC e em busca de um novo emprego depois de ser demitida de uma agencia que simplesmente não acreditou na minha capacidade profissional por ser mulher, sim isso não foi coisa da minha cabeça e sim simples realidade que eu vivia. Essa busca não demorou muito e fui acolhida pela Huia produções, eu era a unica mulher desenvolvedora e pela primeira vez em alguns anos não tive problemas com colegas que me achavam incapaz de exercer minha função por ser uma "mulher", fui acolhida de braços abertos por pessoas que me viam como uma profissional e junto com essa conquista venho o convite para participar da organização do Rails Girls e fazer parte de algo que me desconstruiria de uma forma inexplicado.

 

Rails Girls 2016

Eu não sabia como era, como seria e nem por onde começar. Eu só sabia que algo de bom aconteceria, lá no fundo uma voz gritava para eu não desistir. Saia correndo do trabalho todas as quartas feira em direção ao Tecnopuc, para encontrar as meninas para nossa reunião semanal acontecer, durante uma hora cada ponto era debatido. Foram 4 meses de muitas correrias, e-mail, planilhas e muitas noites em claro para que tudo desse certo. Eu achei que essa seria a parte mais importante e difícil, que no dia tudo seria simples. A questão que para mim, que nunca tinha ficado nos bastidores tudo era novo e foi tudo novo.  Eu ri, eu conheci pessoas maravilhosas, eu presenciei historias, compartilhei experiencias, me desconstruí, eu vi que não estava sozinha e no final eu chorei. Chorei de alegria por ter vivido aquele momento, por estar ali e e por ver que cada minuto valeu apena. Eu levei daquele dois dias de outubro de 2016, abraços com gostinho de saudade,  novas amigas, novas experiências, novas emoções e muita força para lutar pelo que acredito.

Mas o que é o Rails Girls??

O Rails Girls é um evento de empoderamento de mulheres que começou na dentro da Thoughtworks se não me engano  na Europa e vem se ganhando cidades em todo o mundo. Feito por uma organização sem fins lucrativos e uma comunidade que capacita e ajuda as mulheres a organizar oficinas de programação gratuitas de um dia. Cada evento é constituído por uma oficina sobre programação de software usando HTML, CSS, Ruby on Rails. Os eventos são organizados por voluntários em todo o mundo. com a ideia de mostrar para as meninas como é a área de TI  e mostrar que é uma possibilidade de carreira também, desmistificando essa ideia de que é uma área para homens!

Rails Girls 2017

Em 2017 eu voltei, voltei para a organização, voltei querendo que esse evento acontecesse e que fosse muito especial como foi o de 2016. A dimensão do evento e o que ele nós proporciona  emocionalmente e espiritualmente e algo inexplicado, vou tentar traduzir em palavras um pouco do que foi a minha experiência como organizadora novamente nesse evento, como um simples observadora e como mulher. Mas acredito que não vou conseguir ser capaz de dar a real dimensão do que é sentir esse momento.

O evento acontece em uma sexta feira a noite  e um sábado durante o dia todo, com a simples ideia de iniciar mulheres na área de TI. Ensinar código é algo simples, mas que requer uma habilidade de empatia e não só de conhecimento, mostrar a primeira linha de código para 40 participantes e  experimentaram essa sensação foi algo exclusivo das coaches, no qual deixa a gente que faz a organização se encher de orgulho,  mas, na minha opinião, aprender a programar foi uma das pequenas coisas que aconteceram naquele momento. 

E assim como em 2016 aquele sentimento voltou, voltou com emoção e ao longo do evento compartilhamos experiências, e nos tornamos conscientes das dificuldades umas das outras e isso é um exercício de empatia cujo valor é inescapável. Eu estava ali, na retaguarda, vendo as coaches passarem todo o seu conhecimento, toda a sua experiencia vivida até aquele momento. Sem dúvida o momento mais realizador foi durante o fishbowl no sábado, quando observava no olhar de cada um como estavam felizes, como cada historia ali contatada inspiravam elas. Saber que eu tive um pouquinho de responsabilidade naquela alegria toda me deixa feliz.

Ver as historias que surgiram durante o nosso fishbowl, a interação entre elas, perceber que cada uma tinha um ponto comum  e que aquilo que elas relatavam faziam parte do nosso cotidiano me fez chorar. Eu vi cada menina falar empolgada por sua primeira linha de código, eu vi olhos brilharem, eu vi mulheres descobrirem que não estão sozinhas e vi mulheres descobrirem um novo mundo. Eu vi e vivi aquilo com o coração transbordando de alegria. E para finalizar eu perdi as palavras no momento de encerramento, o momento que eu deveria dizer palavras lindas, esse momento foi tomado por um curto período de silencio, uma lagrima que escorria e uma imersão em palmas e assim eu demostrei o que de fato sentia com esse evento.

Eu quero que em 2018 eu possa estar lá novamente vendo e vivendo esses mesmos sentimentos. Obrigada professor  Daniel Wildt pelo incentivo do texto, por acreditar nesse projeto e pela aulas com muito aprendizado. E hoje dia 21 de Novembro de 2017 as 10hs da manhã eu estou sentada finalizando esse texto com o coração cheio de alegria, com muitas lembranças boas, com novos amigos e ainda não conseguindo descrever de fato o que eu senti naquele momento. Obrigada pelas mulheres que me inspiram e as novas mulheres que estão a me inspirar.

Alguns textos que me inspiraram para construir o meu relato:

O que aprendi com o Django Girls Porto Alegre

Escrever com “x” não é linguagem neutra

O que vem de dentro tem força

Django Girls: um evento além da tecnologia

Django Girls Porto Alegre: afinal, o que que eu tô fazendo da minha vida?

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