25/04/2026
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Louvação a Ogum: fogos e feijoada gratuita à noite

Fogos de artifício anunciaram a chegada de entidades e feijoada completa foi servida gratuitamente à noite durante uma louvação a Ogum, orixá guerreiro associado a São Jorge pelo sincretismo religioso. O evento ocorreu na última sexta-feira (25) em um templo de Umbanda no Jardim Sayonara, em Campo Grande, e foi acompanhado pelo Lado B.

Na quinta-feira (23), fiéis já haviam celebrado o dia do orixá, ligado à abertura de caminhos e conhecido como soldado valente e senhor do ferro. Na casa de Umbanda onde Ogum é regente, o som do atabaque conduzia cantigas reverenciando guias espirituais, e todos permaneciam descalços em respeito ao ambiente sagrado.

No centro de um altar montado em uma varanda simples, a imagem em destaque era a do cavaleiro vestido de armadura e com espada nas mãos. Mensagens de amor se repetiam durante toda a celebração, criando um ambiente de bem-estar.

A mãe de santo Thainá Pedrita explicou o significado da festa: “A Umbanda é acolhimento, é união, é axé. Por isso a gente faz questão de reunir nossos filhos, de servir a feijoada e de acolher quem veio de fora com o objetivo de louvar Ogum e engrandecer o orixá. Ogum é caminho, é proteção, é quem abre as portas e defende.”

No início dos trabalhos, todos passaram pela defumação de ervas, um ritual de limpeza espiritual para harmonizar o ambiente e elevar a energia. Por volta das 20h, os fogos de artifício sinalizaram a chegada das entidades. Já em terra, os espíritos deram conselhos, fizeram preces e aplicaram passes espirituais para retirar a negatividade e fortalecer a proteção de quem buscava ajuda.

A louvação também foi um ato de resistência contra a intolerância religiosa. Stefferson destacou: “Ainda existe muito preconceito, mas aqui é exatamente o contrário do que muitos imaginam. Umbanda é paz, amor e caridade. A gente acolhe todo mundo.”

Por volta das 22h30, a espiritualidade deu espaço à partilha da comida. A feijoada completa foi servida logo após os trabalhos, sem cobrar nada dos participantes. “É uma comida ancestral, ligada a Ogum e às raízes africanas. A feijoada representa união, força e prosperidade. É o alimento que reúne o povo, que traz sustento e simboliza nossa história”, disse Stefferson.

Segundo a mãe de santo Thainá, a feijoada começou a ser planejada dias antes. No dia da festa, todos já estavam no terreiro às 6h da manhã. “A gente começou desde segunda-feira porque é decoração, separação dos ingredientes, preparo da comida e também com a preparação espiritual da casa e dos filhos de santo. Tudo é feito com muito axé, com muito cuidado, porque é algo que a gente vai oferecer para as pessoas”, detalhou.

Para a filha de santo Rafaela Alcântara, de 27 anos, a mais antiga da casa, a noite foi resultado da coletividade. “Hoje não foi uma grande festa, foi uma louvação. É a união dos irmãos, dos pais de santo, das pessoas que vieram buscar ajuda. Tem gente que vem só para conversar, outras só precisam de um abraço. E as entidades estão aqui para isso, para acolher e aliviar o coração”, avaliou.

O Templo de Umbanda Ogum Sete Espadas e Iemanjá fica na Rua Fernando Novas, 195, no Jardim Sayonara.

Sobre o autor: Redacao Central

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