27/04/2026
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Obra de R$1,9 bi prevê dragagem no Rio Paraguai e ferrovia

A mineradora Lhg Mining Corumbá, antiga J&F Mineração, apresentou ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) um projeto de R$ 1,9 bilhão para ampliar a capacidade de embarque de minérios no Terminal Privativo Gregório Curvo, em Corumbá. O objetivo é passar das atuais 700 mil toneladas por ano para 15 milhões de toneladas.

As informações constam no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) do empreendimento. O terminal fica às margens do Rio Paraguai, no distrito de Porto Esperança, a 428 km de Campo Grande. Segundo o estudo, a expansão do terminal fluvial deve impulsionar a economia regional e gerar empregos.

O projeto prevê que o aumento do volume de minério embarcado tornará economicamente viável o investimento da operadora ferroviária Rumo para ampliar a capacidade de transporte na Malha Oeste. A medida, segundo a empresa, eliminaria um impacto na comunidade de Porto Esperança e reduziria atropelamentos de fauna na rota viária atual.

Logística e funcionamento

Os vagões carregados de minério chegarão pela ferrovia e passarão por um virador para descarregamento automático. O material seguirá por transportadores de correia até o pátio de estocagem, onde estão previstas sete pilhas de minério. A área será descoberta, com unidades aspersoras para controle de poeira.

O minério de ferro granulado passará por peneiramento antes de seguir para o píer. O minério mais fino (sínter feed) irá diretamente para o píer. No local, dois carregadores móveis farão o embarque das barcaças.

Obra e empregos

A obra exigirá a remoção da vegetação em uma área de 66,52 hectares, além de terraplenagem e abertura de acessos. Será construída uma ponte para transpor um corixo (braço de rio que se forma na cheia).

Parte do material de construção será obtida com fornecedores locais, e parte virá da dragagem de manutenção do calado do Rio Paraguai. O volume previsto de dragagem é de 234.619 m³, equivalente a 94 piscinas olímpicas. O objetivo é garantir a navegabilidade das embarcações que transportarão o minério.

O projeto prevê 1.642 trabalhadores no total, com pico de 999 funcionários durante as obras. Após a conclusão, a fase de operação exigirá 218 profissionais, mas apenas 24 vagas serão abertas, pois os demais 194 trabalhadores já atuam no terminal. A implantação está prevista entre 2026 e 2029, com início das operações em 2029.

Meio ambiente

A área diretamente afetada pelo projeto é composta principalmente por vegetação nativa (53,93%), corpos d’água (42,22 hectares) e áreas modificadas pelo homem (14,61 hectares). O estudo menciona programas para controle de ruídos, poeira e erosão decorrente da dragagem.

O documento alerta que a retirada de vegetação que protege os cursos d’água, especialmente 18,9 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), e a dragagem do leito do rio podem causar o afugentamento da fauna. O Rima será debatido em audiência pública no dia 11 de junho.

Sobre o autor: Redacao Central

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