A filha do narcotraficante Gerson Palermo, que no ano passado denunciou o pai por envolvimento em seu sequestro em Campo Grande, preferiu não comentar a prisão dele, ocorrida nesta terça-feira (26), na Bolívia. À reportagem, ela afirmou apenas que soube da captura pela manhã e informou que eventuais manifestações serão feitas por meio do advogado da família. “Eu não tenho nada a comentar sobre isso”, disse.
Condenado a 126 anos de prisão e apontado como uma das lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) em Mato Grosso do Sul, Palermo estava foragido desde abril de 2020, quando rompeu a tornozeleira eletrônica horas após conseguir prisão domiciliar durante a pandemia da covid-19.
No ano passado, ele voltou ao noticiário acusado de ter articulado o sequestro da própria filha. Conforme a investigação, a jovem foi atraída para um encontro após o pai afirmar que enviaria dinheiro para ajudar no tratamento da avó. Ela acabou mantida em cárcere privado em um imóvel na região das Moreninhas, onde sofreu agressões físicas e psicológicas enquanto sequestradores exigiam dinheiro ligado a uma suposta dívida.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na época, dois homens pararam em frente ao local de trabalho da vítima, na região central de Campo Grande, e disseram que queriam receber o dinheiro do “velho”, apelido dado a Gerson Palermo. Em seguida, ela foi levada ao cativeiro, em um imóvel abandonado no Bairro Moreninhas.
Durante o período em que ficou em poder dos criminosos, os sequestradores enviaram fotos e mensagens de áudio ao marido da vítima, afirmando que aquele seria o último áudio que ele ouviria dela. O marido acionou o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), que passou a investigar o caso.
Na época, a vítima afirmou à polícia que o próprio pai havia comandado a ação criminosa. A defesa de Palermo, no entanto, sustenta que o sequestro nunca existiu e que tudo teria sido uma encenação combinada entre pai e filha para pressionar familiares por dinheiro.
A fuga de Palermo, em 2020, também desencadeou uma investigação que resultou na aposentadoria compulsória do então desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Divoncir Schreiner Maran. A Polícia Federal apontou indícios de irregularidades na decisão que concedeu prisão domiciliar ao traficante durante a pandemia da covid-19.
Além do histórico ligado ao tráfico internacional de drogas, Palermo ficou conhecido nacionalmente pelo sequestro de um Boeing da Vasp, em 2000. Na ocasião, obrigou o piloto a pousar em uma pista no interior do Paraná para roubar malotes com R$ 5,5 milhões.
