O filho do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini foi a última testemunha a depor na audiência de instrução sobre o assassinato do pai. Gabriel Mazzini contou que acompanhou todo o processo de compra da casa onde o pai foi morto e que, em novembro do ano passado, o fiscal já tinha ido visitar o imóvel com representantes da Caixa Econômica Federal.
“Meu pai procurou o gerente do banco para obter mais informações sobre essa residência, e o gerente confirmou que o imóvel estava regularizado. Inclusive, foi oferecida uma visita ao local para conhecer a casa. Então meu pai foi até a residência acompanhado da minha mãe, de um corretor credenciado pela Caixa, que acredito ter sido indicado pelo gerente, e também de um chaveiro”, afirmou Gabriel.
Segundo ele, o pai se interessou pela casa depois de sofrer uma convulsão no sobrado onde morava. Com medo de cair de grande altura, decidiu buscar um imóvel térreo para morar com a esposa, a sogra e duas filhas. “Depois que ele soube do anúncio da residência, nós fizemos uma análise detalhada de toda a documentação do imóvel. Puxamos todos os documentos para verificar a regularidade da aquisição, especialmente porque se tratava de um imóvel retomado judicialmente pela Caixa. E estava tudo certo”, detalhou.
O advogado do ex-prefeito Alcides Bernal afirmou que, em vez de tentar assumir o imóvel diretamente, a vítima deveria ter acionado a Justiça por meio de uma ação possessória. Ele também disse que seu cliente morava no local. “Amanhã teremos testemunhas, como jardineiro e piscineiro, que vão confirmar que frequentavam o imóvel, limpavam e faziam a manutenção da residência. Isso afasta completamente a tese de que o imóvel não pertencia ao Bernal”, comentou.
O advogado da família da vítima, Tiago Martinho, disse que as testemunhas ouvidas — chaveiro, policiais e empregados de empresa de segurança — deixaram claro que “o senhor Roberto era o legítimo proprietário do imóvel”. Ele defendeu que “quando a empresa de monitoramento eletrônico foi contratada, a propriedade já pertencia à Caixa Econômica Federal e já estava registrada em cartório dessa forma. Ou seja, está muito claro que o acusado tinha pleno conhecimento de todo o processo envolvendo a Caixa Econômica Federal”.
Nesta quarta-feira, na 1ª Vara do Tribunal do Júri, 12 testemunhas de defesa e o ex-prefeito serão ouvidos.
