O domingo de Páscoa, para os cristãos praticantes, marca o fim do jejum da Quaresma, liberando o consumo de carne após a abstinência da Sexta-Feira Santa.
Em muitos países cristãos, o almoço da data é composto por pratos de carne. No Brasil, porém, é comum a continuidade do consumo de bacalhau no domingo.
As regras de jejum no cristianismo eram mais rígidas no passado e foram sendo relaxadas com o tempo. A penitência passou a se limitar, para muitos, a comer peixe na Sexta-Feira da Paixão.
No Brasil, a celebração da Sexta-Feira Santa muitas vezes envolve grande quantidade de bacalhau e vinho. Com isso, no domingo de Páscoa, perde-se o sentido original de comer carne para marcar a mudança do luto para a euforia.
Uma receita que une a data ao peixe é o bolovo de Páscoa, uma criação do Toninho Laffargue, do Bar do Momo, no Rio de Janeiro. Trata-se de um ovo cozido coberto com massa de bolinho de bacalhau.
A receita rende 15 unidades e tem dificuldade média, com tempo de preparo de cerca de duas horas. Os ingredientes principais são um quilo de batata asterix, 500 gramas de bacalhau dessalgado, gemas, salsa e ovos.
O preparo envolve cozinhar batata e bacalhau, fazer um purê e misturá-lo ao peixe desfiado. Após esfriar, adicionam-se gemas e salsa. Ovos são cozidos, descascados e envoltos na massa, para então serem fritos em óleo quente.
A matéria foi publicada em 2 de abril de 2026, na coluna Cozinha Bruta, assinada por Marcos Nogueira. O texto aborda os hábitos alimentares da Páscoa no contexto brasileiro.
A tradição do bacalhau no Brasil durante o período da Páscoa tem raízes na influência portuguesa, onde o peixe salgado é um elemento central da culinária festiva. O produto mais comum encontrado no mercado nacional é o saithe, um peixe da família do bacalhau, pescado no Atlântico Norte.
O processo de dessalga do bacalhau, necessário antes do preparo, normalmente leva entre 24 e 48 horas, com trocas periódicas de água. Esse método garante a textura e o sabor adequados para receitas como bolinhos, assados e ensopados.
