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Desperdício corporativo: o custo oculto da nuvem sem governança

Por Nerd da Hora · · 2 min de leitura
Desperdício corporativo: o custo oculto da nuvem sem governança
Sv Studio Art/Freepik

O desperdício nas empresas modernas mudou de lugar. Não está mais apenas em salas vazias ou estoques excessivos, mas sim na infraestrutura de tecnologia mal administrada. Servidores, ambientes em nuvem e recursos digitais sem controle rodam silenciosamente e geram perdas difíceis de identificar.

A transformação digital fez as operações dependerem de cloud computing para quase tudo, de armazenamento a inteligência artificial. O problema é que a adoção dessa tecnologia foi mais rápida do que a capacidade de gestão das companhias. Muitas migraram para a nuvem acreditando que a elasticidade traria eficiência automática, mas descobriram que seus sistemas não demandam tanta infraestrutura quanto imaginavam.

Dados do relatório FinOps in Focus 2025, da Harness, indicam que as empresas devem perder US$ 44,5 bilhões em infraestrutura cloud neste ano por falhas de governança e falta de integração entre engenharia e finanças. A pesquisa mostra ainda que 52% dos líderes de engenharia apontam a desconexão entre áreas técnicas e financeiras como causa de desperdício direto nos ambientes de nuvem.

Recursos ociosos e ambientes esquecidos

Em muitas organizações, ambientes de teste permanecem ativos indefinidamente, máquinas virtuais ficam provisionadas acima da necessidade real e bancos de dados continuam consumindo recursos após o fim dos projetos. Uma análise da VendorBenchmark, com mais de 700 ambientes corporativos, aponta que as empresas desperdiçam entre 28% e 34% de todo o investimento em cloud com recursos ociosos e provisionamento excessivo.

Uma companhia que investe US$ 10 milhões anuais em infraestrutura pode perder até US$ 3,4 milhões sem perceber onde está o problema. O desperdício deixou de ser predominantemente físico e passou a ser digital, distribuído e difícil de enxergar sem mecanismos estruturados de governança.

O relatório State of FinOps 2025, da FinOps Foundation, mostra uma mudança de mentalidade no mercado. Pela primeira vez, a implementação de governança e políticas em escala aparece como prioridade acima da simples redução de custos. O levantamento considera organizações responsáveis por mais de US$ 69 bilhões em gastos com nuvem.

Governança como prioridade

A infraestrutura digital ainda é tratada por muitas empresas como responsabilidade exclusiva da área técnica. Mas cada decisão de provisionamento tem impacto financeiro direto e cada ambiente ativo representa consumo operacional contínuo. Recursos sem monitoramento afetam a eficiência e a margem do negócio.

Na prática, a solução envolve monitoramento em tempo real, automação para desligar recursos ociosos, definição clara de responsabilidades e integração entre as áreas de negócio e tecnologia. O mercado mais maduro entende que sustentabilidade operacional depende da capacidade de administrar a expansão tecnológica com inteligência.

O novo desperdício corporativo está escondido em dashboards ignorados, ambientes esquecidos e recursos sem dono. Por ser silencioso e tecnicamente complexo, esse desperdício se tornou ainda mais perigoso para empresas que dependem de escala e previsibilidade para crescer. A reflexão que fica não é apenas quanto se investe em tecnologia, mas quanto desse investimento realmente gera valor operacional.

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