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EUA proíbe robôs aspiradores chineses por medo de espionagem

Por Nerd da Hora · · 3 min de leitura
EUA proíbe robôs aspiradores chineses por medo de espionagem
Bruno Bertonzin/Canaltech

Os Estados Unidos decidiram restringir a entrada de novos equipamentos robóticos fabricados no exterior, uma medida que deve afetar diretamente as marcas chinesas. O bloqueio alcança até robôs aspiradores e cortadores de grama automatizados, apesar de a regra ter sido apresentada com foco em máquinas humanoides e quadrúpedes.

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA, a FCC, confirmou que esses eletrodomésticos se enquadram na definição adotada pelo governo. A mudança não proíbe o uso dos aparelhos que já estão nas casas dos consumidores, nem retira imediatamente os produtos das lojas.

A regra nasceu de uma ordem da Casa Branca voltada aos chamados dispositivos robóticos avançados. O termo parece descrever equipamentos industriais ou máquinas futuristas, mas os critérios definidos pela FCC abrangem produtos bem mais comuns. Para entrar nessa categoria, o aparelho deve conseguir se mover pelo chão, reconhecer obstáculos e navegar pelo ambiente. Também precisa operar com sensores, conexão de rede e algum sistema local ou remoto responsável por suas ações.

Outro requisito é que o conjunto, com robô e base de recarga, pese mais de 4,4 libras, o equivalente a cerca de 2 kg. A maioria dos aspiradores atuais ultrapassa esse limite, sobretudo os modelos com estações que removem a sujeira, abastecem o reservatório de água ou limpam os esfregões. Com isso, um robô aspirador moderno reúne praticamente todos os elementos citados pela FCC. Ele mapeia a residência, identifica móveis e paredes, troca informações pela internet e executa tarefas por meio de software.

A decisão não transforma os robôs que já chegaram ao mercado em produtos ilegais. Modelos com autorização anterior da FCC poderão continuar nas lojas, ser importados e permanecer em uso normalmente. Isso significa que consumidores não precisarão devolver ou desligar seus aparelhos. O impacto maior deve aparecer nas próximas gerações, pois os fabricantes terão dificuldades para aprovar novos modelos nos Estados Unidos.

Os produtos autorizados também poderão receber atualizações de sistema e de segurança até, pelo menos, 1º de janeiro de 2029. A FCC ainda poderá ampliar esse prazo por meio de novas regras. Empresas estrangeiras terão a opção de solicitar uma exceção. A liberação, porém, dependerá do aval do Departamento de Defesa ou do Departamento de Segurança Interna dos EUA.

Embora a medida trate de equipamentos estrangeiros em geral, o mercado de robôs de limpeza tem forte domínio chinês. As cinco maiores fabricantes globais do setor em 2025 foram Roborock, Ecovacs, Dreame, Xiaomi e Narwal, segundo dados da IDC. A Roborock liderou o mercado com 5,8 milhões de unidades vendidas e 17,7% de participação. A Dreame apresentou um dos avanços mais expressivos, com crescimento anual de 101,9% e 3,4 milhões de aparelhos comercializados. Ao todo, o setor somou 32,7 milhões de unidades em 2025, alta de 20,1% na comparação anual. Portanto, uma restrição contra novos equipamentos chineses pode mudar de forma significativa a oferta de robôs aspiradores nos Estados Unidos.

A Casa Branca justificou a decisão com dois argumentos principais. O primeiro envolve a dependência americana de fornecedores estrangeiros para peças e tecnologias essenciais ao desenvolvimento de robôs. Na visão do governo, um país rival poderia interromper o fornecimento desses componentes em um momento estratégico e prejudicar empresas ou serviços dos Estados Unidos. A segunda preocupação está nos dados coletados pelos equipamentos. Robôs aspiradores usam câmeras, lasers e outros sensores para criar mapas detalhados dos ambientes internos, o que despertou receios de vazamento de informações e espionagem.

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