Clientes da fintech Naskar recorreram à Justiça de Mato Grosso do Sul para tentar bloquear bens da empresa e dos sócios. O objetivo é recuperar valores antes que o patrimônio desapareça. As ações pedem rescisão contratual, restituição de dinheiro, desconsideração da personalidade jurídica e medidas urgentes.
As ações são movidas contra a Naskar Instituição de Pagamento Ltda., Naskar Gestão de Ativos Ltda., 7Trust Finance Instituição de Pagamento S.A., Celcoin Instituição de Pagamento S.A. e sócios ligados à operação. Entre os pedidos estão bloqueio de ativos financeiros via Sisbajud, restrição de veículos pelo Renajud, arresto de bens e retenção de passaportes dos corréus.
Em uma das ações, uma aposentada de Campo Grande afirma ter feito aporte inicial de R$ 100 mil e mantinha aproximadamente R$ 107 mil sob custódia da empresa. Em outra, uma investidora relata ter aplicado R$ 100 mil em junho de 2025 e possuir cerca de R$ 38,5 mil bloqueados na plataforma.
As autoras afirmam que contrataram a operação por meio de contrato de mútuo financeiro, com promessa de rendimento de 2% ao mês. Segundo as petições, os valores eram acompanhados pelo aplicativo da Naskar. A partir de maio, as clientes tentaram resgatar o dinheiro e foram informadas de que os ativos estavam bloqueados.
As ações apontam que, no dia 8 de maio, o aplicativo oficial foi retirado do ar. As petições classificam a situação como retenção ilícita de valores e obstrução de provas. A defesa recorreu ao TJMS após a Justiça de 1º grau negar a tutela de urgência.
O advogado Luiz Afonso da Costa afirma que outras pessoas têm procurado orientação jurídica. Ele orienta os clientes a registrar boletim de ocorrência e preservar provas. “O importante agora é se precaver contra a fuga de sócios ou ocultação de bens”, disse. A crise da Naskar já levou quatro pessoas a registrar boletins de ocorrência em Campo Grande, com prejuízos que ultrapassam R$ 4 milhões.
Investigação sobre outras fintechs
Em outro caso, fintechs suspeitas de lavar dinheiro em operações com combustíveis movimentaram R$ 26 bilhões. A investigação aponta que as empresas usavam o setor de combustíveis para ocultar a origem de valores. O esquema envolvia a criação de empresas de fachada e movimentações financeiras suspeitas. As autoridades continuam as investigações para identificar todos os envolvidos.
