26/05/2026
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Lula autoriza ajuda à Bolívia: entenda a crise

O Brasil anunciou na segunda-feira (25/05) que vai enviar ajuda humanitária à Bolívia, que enfrenta protestos contra o governo. O anúncio foi feito após uma conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz, da Bolívia.

As ondas de protestos e bloqueios de estradas duram quase um mês e causam desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos no país. “O presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito”, disse a Presidência do Brasil em comunicado.

O pedido por ajuda humanitária foi feito a Lula pelo presidente boliviano, que é conservador cristão de centro-direita. Os protestos contra o governo de Paz são liderados por setores do sindicato Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente de esquerda Evo Morales, que rejeitou os pedidos do governo por diálogo.

Lula disse em sua nota que defende que “governo e movimentos sociais evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências e para a preservação da paz social”. Os EUA e a Argentina também ofereceram assistência para lidar com o desabastecimento.

O departamento de Estado dos EUA descreveu a situação na Bolívia como uma “crise humanitária” e classificou os protestos como “ações destinadas a desestabilizar o governo democraticamente eleito de Rodrigo Paz”. A Argentina enviou uma aeronave militar para realizar pontes aéreas para o transporte de alimentos. O presidente colombiano, Gustavo Petro, descreveu a situação como um “levante popular”.

Seis meses após assumir a Presidência da Bolívia, Rodrigo Paz enfrenta intensos protestos de diversos setores. Os setores mais críticos, incluindo agricultores e trabalhadores ligados a organizações sociais associadas ao ex-presidente Evo Morales, pedem a renúncia de Rodrigo Paz. O governo afirma que Morales está por trás dos protestos, algo que o ex-presidente nega.

Morales foi declarado em situação de desacato a autoridade judicial em 11 de maio, após não ter comparecido ao início de seu julgamento por suposto tráfico de pessoas. Os protestos, que começaram há quase um mês com bloqueios de estradas, se intensificaram e afetam o cotidiano da população boliviana, que sofre com escassez de alimentos, combustível e medicamentos.

Os protestos começaram no final de abril, depois que o presidente Paz anunciou uma reforma agrária para transformar pequenas propriedades rurais em propriedades de médio porte. A Lei 1720 autorizou o Instituto Nacional de Reforma Agrária a converter uma pequena propriedade rural em uma propriedade de médio porte, desde que o proprietário solicite voluntariamente. O governo afirma que o objetivo é permitir que os proprietários usem as terras como garantia para obter crédito. Grupos camponeses interpretaram a medida como uma tentativa de promover a venda de terras agrícolas para grandes proprietários.

Em abril, os professores lideraram protestos exigindo aumentos salariais em um país que enfrenta inflação alta. Após semanas de negociações, o Ministério da Educação anunciou um acordo com os professores, que aceitaram um bônus e suspenderam os protestos. No entanto, as manifestações continuaram e se espalharam para novos setores.

Após o aumento do preço dos combustíveis, consequência da decisão de Paz de eliminar os subsídios, os bolivianos questionam a qualidade do produto. O Instituto de Pesquisa Química da Universidade Superior de San Andrés (UMSA) realizou uma análise técnica que concluiu que as gasolinas testadas não atendiam aos padrões de qualidade. Sindicatos de transporte convocaram uma greve devido a preocupações com o abastecimento.

Em 9 de maio, o presidente da Bolívia anunciou a criação de uma comissão para realizar uma “reforma parcial” da Constituição que rege o país desde 2009, com o objetivo de facilitar o investimento na economia boliviana.

Sobre o autor: Redacao Central

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