
A segunda temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar chegou à Netflix e mostra a plataforma levando a sério a tarefa de recontar a história de Aang e seus amigos, 20 anos após a exibição original. A série se distancia um pouco mais do desenho animado para contar a saga do herói à sua própria maneira.
É possível notar um esforço para respeitar a animação original e a base de fãs. Ainda assim, a Netflix segue em uma linha tênue entre isso e o conceito de "adaptação".
O tom maduro da série
A série da Netflix não tem a mesma intenção da animação original, que abraçava crianças, jovens e adultos. A nova produção é claramente direcionada a jovens e adultos, com menos "gracinhas" e mais foco em dilemas, escolhas e responsabilidade. Na segunda temporada, essa sensação se intensifica, com os horrores da guerra sendo mostrados de forma mais direta.
A adaptação tenta contar uma história madura de Aang, que vê o mundo devastado ao seu redor e sente o peso da responsabilidade. Os dramas de Katara e Sokka pela perda da mãe e a relação complexa de Zuko com sua família são intensificados. A história não fica pior por perder o fator infantil, e a jornada contra a Nação do Fogo ganha uma camada adicional.
O Reino da Terra e os personagens
A jornada leva o grupo para o Reino da Terra, onde Aang precisa aprender a dobrar o elemento. A cidade de Ba Sing Se está bem representada, com seus muros que protegem o Rei e escondem segredos, transmitindo uma sensação de sufocamento.
A personagem Toph, interpretada por Miya Cech, é apresentada como uma guerreira de personalidade forte. O destaque de atuação vai para Ian Ousley, que vive Sokka, trazendo humor, estratégia e seriedade. Kiawentiio e Dallas Liu, como Katara e Zuko, também surpreendem ao mostrar um lado inédito da guerra.
Pontos negativos
Alguns deslizes tiram o potencial da série. A ausência de "cores" na obra é um deles, com trajes realistas que perdem o apelo dos personagens. O crescimento de Gordon Cormier, que interpreta Aang, é perceptível, e sua adolescência remove parte da crença na trama.
Os cortes na história também incomodam. A Netflix removeu elementos que poderiam trazer profundidade, como as toupeiras texugos, o guru Pathik e o treinamento de Aang. A mistura de partes distintas da história em um só episódio, como na biblioteca de Wan Shi Tong, deixa de lado pontos importantes.
Vale a pena?
Os sete episódios tentam contar uma história única dentro do mundo de Avatar, com resultados mistos. Há coisas boas, principalmente para quem busca uma visão mais adulta da jornada de Aang. O aumento da participação de Sokka, as subtramas de Katara e Zuko e a entrada de Toph são pontos positivos.
Para fãs antigos, há coisas bacanas para ver, mas nem tudo estará como esperado. Para novatos, a série pode ser assistida sem medo, mas é recomendado ver o original depois para entender melhor como tudo foi concebido.


