A faculdade Escola da Saúde, da Santa Casa de Campo Grande, ainda não tem um espaço físico próprio. O antigo Colégio Oswaldo Cruz, que pertence à mesma instituição filantrópica que administra o hospital, não está totalmente reformado para receber os alunos. A faculdade começou as atividades em 2024, mas a promessa de dar um novo uso ao prédio histórico existe desde 2022.
Em dezembro do ano passado, a Justiça deu um prazo de até um ano para a conclusão da reforma. A decisão atendeu a uma ação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, apresentada em 2021, que cobrava a conservação do imóvel, considerado patrimônio histórico.
O diretor da faculdade, Fabio Edir, afirmou em entrevista nesta quarta-feira (20) que a previsão é que o prédio do colégio seja ocupado até o fim deste ano. O imóvel, uma das poucas construções do estilo eclético restantes em Campo Grande, está fechado há mais de uma década.
Fabio explicou que a mudança não ocorreu antes por causa do atraso de uma parcela de R$ 2,7 milhões que a Prefeitura de Campo Grande deveria pagar. O valor faz parte de um acordo com a ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), que administra a Santa Casa.
Na Justiça, a ABCG afirmou que o colégio se deteriorou por falta de manutenção da gestão municipal. A associação já recebeu as duas primeiras parcelas do acordo e usou o dinheiro na reforma interna do prédio. O imóvel ficou sob administração da prefeitura entre 2005 e 2015 e foi usado para ensino de jovens e adultos.
A assessoria de imprensa da Prefeitura foi questionada sobre o motivo do atraso no pagamento, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Segundo o diretor, a parcela pendente foi paga há cerca de um mês. A expectativa é usar esse valor, junto com doações e recursos arrecadados pela instituição, para custear o que falta. Fabio não informou o valor total do investimento.
Falta concluir apenas a parte externa. “Não é firula, não. É necessário porque inclui gramado, pintura, estacionamento, câmera de segurança, iluminação, cerca elétrica, muro, toda parte de identidade visual, paisagismo”, disse o diretor.
O mobiliário para salas de aula e laboratórios já foi comprado e parte está sendo entregue. O diretor afirmou que assinou, na semana passada, um contrato para comprar os móveis das salas administrativas. “A gente está na parte final do processo de aquisição de equipamentos para laboratórios também”, completou.
Enquanto a reforma não termina, a Escola da Saúde comprou uma turma do curso de Odontologia da faculdade privada Insted, também de Campo Grande. Os alunos estão no sétimo semestre e têm aulas em salas e laboratórios alugados.
“Vai ser o primeiro curso de Odontologia de Mato Grosso do Sul que também vai atender a área hospitalar, algo que só Santa Casa faz aqui no Estado”, afirmou Fabio. Todas as formações são privadas.
Quando estiver no Oswaldo Cruz, a faculdade pretende abrir mais vagas para Odontologia, Enfermagem e, possivelmente, Medicina. O diretor disse que o processo de autorização para o curso de Medicina está em fase final de avaliação do MEC (Ministério da Educação). “A nossa expectativa é que já em 2027 a gente inicie o curso de Medicina”, concluiu.
O Colégio Oswaldo Cruz pertence à ABCG desde que o professor Luís Alexandre de Oliveira doou o imóvel. A escola foi fundada em 1927.
