O preço dos fertilizantes subiu até 39% em Mato Grosso do Sul, que importou mais de 23 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026. Os dados são de boletim divulgado pela Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) nesta segunda-feira (27).
O volume importado caiu 23,28% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da queda, houve avanço na compra de fertilizantes potássicos, que saltaram de 220 toneladas para 7,22 mil toneladas na comparação anual.
No cenário nacional, o movimento foi inverso. O Brasil ampliou as importações em 9,03% no primeiro trimestre, o que indica recomposição de estoques e compras antecipadas pelo setor produtivo.
“A safra 2025/2026 mostra que não basta produzir mais, é preciso alinhar preço e custo. A soja conseguiu compensar parte da pressão com ganho de produtividade, mas o milho segue mais exposto, com custos elevados, principalmente com fertilizantes, e preços que não reagiram na mesma intensidade. Esse cenário exige atenção no planejamento da próxima safra”, afirmou o analista de Economia da Aprosoja, Mateus Fernandes.
Os preços continuam altos e pressionam os custos. O fertilizante NPK 04-30-10 registrou alta de 39% em março na comparação com o mesmo mês de 2025. Já matérias-primas como o MAP (fosfato monoamônico) permanecem acima de R$ 5,4 mil por tonelada.
A relação de troca ficou menos favorável ao produtor. Para comprar a mesma quantidade de insumos, é preciso entregar mais grãos, o que reduz a margem da produção agrícola.
O cenário externo ajuda a explicar os números. O mercado global depende de grandes fornecedores, como Rússia, Belarus e China, e sofre influência direta do custo do gás natural, principal insumo na fabricação de fertilizantes nitrogenados.
