28/04/2026
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Originais do 1º filme da Capital encontrados após 59 anos

Após 59 anos dado como perdido, um dos originais do primeiro filme de ficção de Campo Grande, “Paralelos Trágicos”, foi encontrado. O jornalista e escritor Rodrigo Teixeira liderou a pesquisa chamada “Em Busca do Lendário Paralelos Trágicos”. O trabalho reúne 215 matérias publicadas ao longo de seis décadas. A investigação mostra que o longa não foi queimado no incêndio do Cine Acapulco, em 2000.

Rodrigo Teixeira descobriu que um dos originais do filme está preservado na Cinemateca Brasileira desde 1989. Além disso, Bernardo Elias Lahdo, produtor e escritor do livro que inspirou o longa, guardava um segundo material em 16 milímetros. “Nenhum jornal me perguntou e eu nunca desmenti”, disse Bernardo durante o lançamento do catálogo digital, que ocorreu no auditório de Arquitetura da UFMS.

O material da Cinemateca apresenta danos na estrutura do filme e não pode ser reproduzido. Já a cópia de Bernardo precisa de estudos para verificar se é possível a reprodução. O original em 35 milímetros foi destruído no incêndio do Cine Acapulco em 2000, cuja causa ainda é desconhecida.

Rodrigo Teixeira explicou que criou o catálogo para mostrar a dimensão da divulgação do filme. “Foram mais de 200 matérias para rastrear se existia algum rastro desse material. É para tirar as lendas do lugar e colocar a história”, afirmou. Ele destacou que “Paralelos Trágicos” mostrou que Campo Grande era capaz de produzir um filme audiovisual.

Antes dessa produção, o cinema local era voltado para temas como natureza e povos indígenas. O longa trouxe uma abordagem moderna e urbana. “É a primeira ação modernista que vai mudar o cenário”, disse Rodrigo.

Trama e repercussão

Dirigido por Abboud Lahdo, irmão de Bernardo, o filme foi lançado em 13 de janeiro de 1967 no Cine Alhambra. A première teve mais de 4 mil pessoas e Bernardo autografou mais de 2 mil livros. A montagem e edição foram feitas em São Paulo porque Campo Grande não tinha estúdios na época.

O filme enfrentou censura durante a ditadura militar. Foi classificado como inadequado por cenas consideradas sensíveis, mesmo sem nudez explícita. A obra circulou entre 1967 e 1971 em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Campinas. A trilha sonora foi do maestro paraguaio Hermínio Gimenez.

A trama acompanha Roberto, um professor de História que perde a esposa durante o parto da filha. Ele entra em colapso, abandona a filha em um internato e vive nas ruas. Antes disso, vive um romance proibido com uma aluna, enfrentando a oposição do pai dela. O desfecho é trágico para ambos.

Parte da arrecadação da estreia foi destinada à rede feminina de combate ao câncer, contribuindo para a estrutura inicial do hospital oncológico de Campo Grande. O diretor francês Claude Lelouch chegou a ser convidado para dirigir o filme, mas não conseguiu por problemas pessoais.

Sobre o autor: Redacao Central

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